Urinary Iodine Excretion, 1997 |
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Urinary iodine excretion in 16,803
Brazilian schollchildren
Roberto Zonato Esteves, Rui Monteiro de Barros Maciel
Abstract | Introdução | Métodos | Resultados | Discussão | Bibliografias
MATERIAIS E MÉTODOS
1. Grupo de Estudo
A partir dos dados obtidos pelo INAN/MS em 1990 sobre a prevalência de bócio nos municípios-sentinela dos cinco estados estudados (tabela 4), concebeu-se um inquérito nacional para avaliação da endemia de carência em iodo, tendo sido o grupo de estudo com posto por escolares de ambos os sexos, na faixa etária de 8 a 10 anos, usando como parâmetros:
1. a prevalência de bócio;
2. a excreção urinária de iodo;
3. a análise do conteúdo em iodo no sal consumido pelos escolares.
Baseado no estudo de 1990, o inquérito adotou um sistema de amostragem híbrido, abrangendo os 13 municípios que haviam sido estudados, os municípios limítrofes a estes primeiros e municípios escolhidos aleatoriamente de forma a obter uma amostra represent ativa de cada unidade da federação (Barros e Victora, 1994).
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Tabela 5 - Sistema de amostragem híbrido.
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Estado Municípios Municípios Municípios Total
Sentinelas Limítrofes Sorteados
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Pará 3 9 15 27
Minas Gerais 2 12 15 29
Goiás 4 15 15 34
Tocantins 2 10 15 27
Maranhão 2 7 15 24
Demais Estados - - 20 20
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Para o estudo dos níveis de iodo urinário, foram sorteadas pelo menos 20 crianças em cada município, sendo o número de crianças maior nas áreas endêmicas. No total, foram analisadas amostras de 16.803 crianças provenientes de 401 municípios (ver apêndice para lista dos municípios incluídos no estudo).
2. Coleta das Amostras
As amostras de urina foram coletadas de forma casual, em potes plásticos de 50 mL, identificadas (nome da criança, nome da escola, município e unidade da federação) e enviadas por via aérea (exceto São Paulo) para o Laboratório da Disciplina de Endocrino logia, Departamento de Medicina da Escola Paulista de Medicina/ Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Na UNIFESP, as amostras recebidas foram cadastradas por ordem de chegada, aliquotadas em tubos plásticos de 5 mL e armazenadas a -20C até a data da dosagem. Cada amostra foi identificada por um número de cadastro, nome da criança, idade e procedência (nom e da escola, município, unidade da federação).
As amostras dos seguintes municípios do Acre foram desprezadas devido a problemas no envio (caixas contendo amostras de urina e de sal):
Plácido de Castro Sena Madureira Cruzeiro do Sul Devido a isto, os dados de Brasiléia (AC) não são representativos da população daquele Estado e foram analisados como município isolado.
Dosamos as amostras em ordem aleatória e de forma cega, sem que dispusséssemos de qualquer indicação quanto à procedência da amostra e ao exame palpatório da tiróide da criança estudada.
3. Materiais
3.1. Materiais
Os produtos e materiais de consumo utilizados neste trabalho foram obtidos dos seguintes fornecedores:
Equipamentos:
a. Blocos de aquecimento DB28100, Thermolyne (EUA);
b. Espectrofotômetro Novaspec II, Pharmacia LKB (Inglaterra);
c. Leitor espectrofotométrico de placas EL309, Bio-Tek (EUA).
Reagentes:
Merck:
a. Clorato de Potássio ( KClO3 ) ,
b. Ácido perclórico ( HClO4 ) ,
c. Persulfato de amônio ( (NH4)2S2O8 ) ,
d. Trióxido arsenioso ( As2O3 ) ,
e. Cloreto de sódio ( NaCl ) ,
f. Ácido sulfúrico ( H2SO4 ) ,
g. Sulfato cérico amoniacal ( Ce (NH4)4(SO4)4 · 2 H2O ) ,
h. Iodato de potássio ( KIO3 ) ,
Sigma:
i. Persulfato de amônio ( (NH4)2S2O8 ).
3.2. Preparo das Soluções Empregadas
a. Ácido clórico 28%: adicionamos 500 g de clorato de potássio a 910 mL de água deionizada em um erlenmeyer de 2 litros. A seguir, aquecemos o frasco com agitação magnética para dissolução do sal; mesmo após várias horas de aquecimento, a dissolução não s e completou, fenômeno também descrito no método original (Dunn e cols., 1993). Após resfriamento, adicionamos 375 mL de ácido perclórico 70% lentamente (cerca de 20 minutos), com agitação constante. Mantivemos a solução a 4C até o dia seguinte quando, ent ão, a filtramos com papel de filtro analítico em um funil sem vácuo. Estocamos a solução obtida (750 - 800 mL) a 4C até o seu emprego.
b. Ácido arsenioso 0,2N: em um erlenmeyer de 2 litros contendo 20 g de trióxido arsenioso e 50 g de cloreto de sódio, adicionamos lentamente 400 mL de ácido sulfúrico 5N e água deionizada até cerca da marca de 1.000 mL. A seguir, aquecemos o frasco leveme nte com agitação magnética até a dissolução do sal. Após resfriamento da solução, ajustamos o volume com água deionizada para 2.000 ml, filtramos a solução e a estocamos em frasco protegido da luz à temperatura ambiente.
c. Sulfato cérico amoniacal 0,2M: dissolvemos 48 g de sulfato cérico amoniacal em 1 litro de ácido sulfúrico 3,5N e estocamos a solução em frasco protegido da luz à temperatura ambiente.
d. Persulfato de amônio 1M: dissolvemos 228,2 g em 1 litro de água deionizada e armazenamos a solução à temperatura ambiente.
e. Solução padrão de iodo 1 µg/ mL: dissolvemos 1,68 mg de iodato de potássio (equivalentes a 1 mg de iodo) em 1 litro de água deionizada. Armazenamos a solução a 4C em alíquotas de 1 mL.
4. Métodos de Dosagem do Iodo na Urina
Os métodos empregados baseiam-se na mesma reação, ou seja, a detecção indireta do iodo pela monitoração da redução do sulfato cérico amoniacal (Sandell e Kolthoff, 1937). O iodeto presente na amostra catalisa a redução do íon cérico ( Ce+4 ), amarelo, a í on ceroso ( Ce+3 ), transparente. A adição de arsênico à reação permite a regeneração de iodeto acoplada à oxidação de As+3 a As+5, o que causa a redução de todo Ce+4.
A principal diferença entre os métodos empregados é a etapa inicial de digestão das amostras visando a eliminação de substâncias que interferem com a reação. Além disto, o prolongamento da última etapa (catálise pelo iodo) reduz o caráter crítico do tempo de reação, permitindo a automação da leitura.
4.1. Método Precedido por Digestão Leve com Ácido Clórico (Dunn e cols., 1993a; Dunn e cols., 1993b)
Após misturarmos as amostras para a ressuspensão do sedimento, pipetamos 250 µL da curva-padrão (0 - 20 µg/ dL) e das amostras em tubos de ensaio de 13 mm. Em seguida, adicionamos 750 µL de ácido clórico 28% com agitação e aquecemos por 50-60 minutos, 11 0-115C, em um bloco de aquecimento posicionado dentro da capela para exaustão dos gases expelidos durante o aquecimento.
Deixamos os tubos retornarem à temperatura ambiente e acrescentamos, então, 3,5 mL de ácido arsenioso 0,2N. Após agitação, deixamos em repouso por 15 minutos e adicionamos 350 µl de sulfato cérico amoniacal sob agitação. Após 20 minutos, lemos a absorbânc ia a 405 nm. Obtivemos o conteúdo de iodo nas amostras (IUr.) por comparação das leituras com a curva-padrão e os expressamos em µg/dL.
4.2. Método Precedido por Digestão Leve com Persulfato de Amônio
4.2.1. Introdução ao Método
O método descrito acima e utilizado por nós como padrão de dosagem apresenta, no entanto, alguns inconvenientes: dependência de reagentes controlados pelo Exército e pelo Departamento de Polícia Federal (ácido perclórico e clorato de potássio), necessidad e de uso de um sistema de exaustão dos vapores tóxicos gerados pelo aquecimento do ácido clórico e dependência crítica do tempo de reação, o que representa um fator de erro possível e impede a automação da leitura.
Baseados na possibilidade de troca do ácido clórico pelo persulfato de amônio como agente digestor das amostras de urina (Pino e cols., 1996), desenvolvemos um método semi-automatizado em placas de 96 poços que, pelo prolongamento do tempo de reação de re dução do cério, permite que a diferença de tempo de leitura dos poços não seja crítica.
4.2.2. Descrição do Método
Após misturarmos as amostras para a ressuspensão do sedimento, pipetamos 250 µL da curva-padrão (0-20 µg/dL) e das amostras em tubos de ensaio de 13 mm. Em seguida, adicionamos 1 mL de persulfato de amônio 1M com agitação e aquecemos a amostra por 50-60 minutos, 90-95C, em um bloco de aquecimento. Como o laboratório já estava organizado para trabalhar com a digestão pelo ácido clórico, tal etapa também ocorreu na capela.
Após deixarmos os tubos retornarem à temperatura ambiente, acrescentamos 3,5 mL de ácido arsenioso 0,2N e agitamos. Após 15 minutos de repouso, adicionamos 350 µL de sulfato cérico amoniacal à mistura sob agitação. Após 20 minutos, transferimos 200 µL de cada tubo para a placa de 96 poços (MaxiSorp - NunC) e a incubamos a 37C por cerca de 10 minutos. Lemos a placa a uma absorbância de 405 nm, sendo o conteúdo de iodo nas amostras (IUr.) obtido por comparação das leituras com a curva-padrão e expresso em µg/ dL.
4.2.3. Características do Método Sensibilidade: 2 mg de iodo/dL
Coeficientes de variação: IUr. = 8,9 mg/dL IUr. = 27,7 mg/dL
CV Intraensaio (n=11) 12,6% 2,3%
IUr. = 9,9 mg/dL IUr. = 26,2 mg/dL
CV Interensaio (n=47) 15,5% 10,0%
Para comparar o novo método com o que utiliza o ácido clórico para digestão, estudamos a correlação entre amostras dosadas pelos dois métodos, com análise de regressão linear dos pontos (n=19).
5. Análise Estatística
Para o cálculo das medianas por município e unidade da federação, agrupamos os resultados pela procedência. Para a análise de distribuição dos resultados, utilizamos os valores de corte da classificação apresentada na tabela 2 e subdividimos a faixa de va lores maiores ou iguais a 10 mg/dL em duas: uma de valores ³10 e consideramos carentes todos os municípios com mediana inferior a 10 mg/dL e aqueles onde, mesmo com mediana normal, mais de 10% das amostras continham menos de 2,5mg/dL de iodo.
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